Séc. XX

Vanguardas europeias: a evolução da expressão humana pela arte

Dadaísmo, surrealismo e antiarte: o conteúdo das vanguardas artísticas do século passado

Será que somos seres realmente a frente de nosso tempo ao ponto de aceitar tendências inovadoras e aparentemente incoerentes? A resposta pode vir de uma época em que mudanças sistêmicas na concepção de arte abalavam as sociedades do século XX, fazendo-as pensar sobre uma ruptura com o padrão clássico greco-romano e renascentista. Em um contexto artístico dominado pela mimésis (cópia exata da realidade), repleto de convenções, regras e princípios rígidos, as vanguardas europeias rompem essa bolha e chocam o mundo através de produções polêmicas, irreais e ilógicas.

Exauridos por práticas ultrapassadas e diante de mudanças drásticas provocadas pela Revolução Industrial, 1ª Guerra Mundial e ideais nacionalistas, os vanguardistas transformam a utilidade da arte e sua forma pela experimentação estética, comumente incompreendidas, a fim de alcançarem uma liberdade de expressão capaz de realmente contemplar suas perspectivas múltiplas: desarmônicas, desproporcionais, desordenadas e deformadas, mas com valor inestimável ao impulsionar a Modernidade a qual conhecemos. Esses movimentos artísticos, como expressionismo, dadaísmo e surrealismo, expressam o mundo por visões imergidas em exagero, fragmentação da realidade, crises existenciais, universo onírico (isto é, do sonho) e dessacralização da arte.  

Em terras brasileiras, as tendências vanguardistas foram adaptadas e lideradas pelo “Grupo dos Cinco”, formado por artistas como Anita Malfatti e Oswald de Andrade, com ápice de transposição da arte clássica na Semana de Arte Moderna de 1922. Nesse momento, a apropriação das vanguardas europeias foi usada para criar uma identidade nacional, evidenciada em obras como “Macunaíma”, “Operários” e “Romanceiro da Inconfidência”. Através de obras altamente críticas e transgressoras sobre as desigualdades sociais, as transformações urbanísticas e a história romântica de formação do Brasil, a arte moderna coloca o verdadeiro brasileiro em pauta. No entanto, assim como na Europa, as inspirações brasileiras do vanguardismo foram menosprezadas por intelectuais como Monteiro Lobato, que atacou publicamente as manifestações expressionistas de Anita Malfatti. No fim das contas, toda a repercussão gerada na época trouxe visibilidade para a forma de arte revolucionária que era apresentada. 

Logo, embora possamos nos considerar indivíduos progressistas, é preciso considerar que talvez sejamos apegados aos padrões de nosso tempo. Podemos estar minimamente acostumados com a diversidade de expressões da contemporaneidade, mas ainda assim, como os indivíduos do século passado, resistimos ao que foge de nossos paradigmas ideológicos, sociais, políticos e artísticos. Por fim, acredito que devemos abrir espaço para aquilo que pode entrar para a História, transformando as infinitas possibilidades de expressão do ser humano, como aconteceu nas vanguardas europeias e no modernismo brasileiro.

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