Revolução de Outubro

Revolução Russa: 106 anos da mais importante insurreição da história humana

A data marca a insurreição vitoriosa dos bolcheviques contra o Governo Provisório

No calendário juliano, o 25 de outubro é marcado por um dos mais importantes acontecimentos da história humana: a Revolução de Outubro de 1917, liderada pelos bolcheviques, que transferiu o poder político e estatal da Rússia aos sovietes. Trata-se da primeira revolução de caráter socialista desde a Comuna de Paris – que havia durado apenas 100 dias.

Para tratar dos acontecimentos liderados por Lênin e Trotsky, seriam necessárias toda uma série de matérias: os antecedentes, a cisão no interior do POSDR entre mencheviques e bolcheviques, a participação caótica da Rússia na primeira guerra, a Revolução de Fevereiro, as jornadas de julho, a contrarrevolução de Kornilov em agosto, a tomada de poder em outubro; depois, a guerra civil que durou de 1917 até 1922 – e ela própria tem diversos meandros – e o fenômeno de burocratização do Estado operário (isto é, o processo em que a burocracia, que é o setor responsável por administrar o Estado, se eleva acima da classe operária e passa a dirigir uma ditadura contra a classe trabalhadora), que ganhou corpo no stalinismo. 

Finalmente, ainda teríamos de tratar da traição e do assassinato da revolução, promovido por Stálin após a morte de Lênin – por uma série de fatores, dentre eles o isolamento internacional da URSS – e da consequente restauração capitalista em 1991, como última etapa desse grande processo.

Nestas linhas, por conta da limitação de espaço e da profundidade do tema, gostaria apenas de indicar os temas primordias – para futuramente, talvez, dar prosseguimento a um esmiuçamento deles – e de traçar um quadro geral da Revolução, em virtude de seu aniversário.

Uma das mais importantes contribuições de Outubro de 1917 foi comprar a teoria da Revolução Permanente, elaborada por Trotsky depois da revolução de 1905 – que acabou esmagada, à época, pelo czarismo. De maneira geral, dando prosseguimento às lições tiradas por Marx dos acontecimentos de Paris em 1848, postula-se: desde aberta a época capitalista no mundo, independentemente de ser em um país imperialista ou em um país atrasado, como o Brasil e a Rússia, é a classe operária o sujeito político da revolução. Isso foi comprovado, porque, em 1917, foi a classe operária quem tomou o poder – em um dos países mais atrasados do mundo.

Essa tese ia de encontro ao que defendiam os mencheviques – e, posteriormente, ao que reeditou Stálin como política oficial da URSS – que era a tese da chamada “Revolução por etapas”. Em linhas gerais, a classe operária só poderia tomar o poder se o país fosse considerado suficientemente maduro (isto é, de um nível capitalista suficientemente desenvolvido); do contrário, mesmo que a classe operária tomasse o poder, deveria passá-lo à burguesia “progressista” e manter o país dentro dos marcos do capitalismo. Foi a política que o stalinismo impôs ao partido comunista na China, que levou a destruição da Revolução de 1923, a subordinação ao Koumintang (partido da burguesia nacional chinesa), por exemplo. 

Dentro dessa reacionária tese do stalinismo, o país teria de ter “condições maduras” para que a classe operária pudesse tomar o poder; quase nenhum país as teria; então a URSS teria de viver isolada, dando formação ao que chamou de “socialismo num só país”.

No entanto, na perspectiva do marxismo, que ganhou forma na Revolução Permanente, a classe operária sempre deve tentar tomar o poder. Afinal, na medida em que o capitalismo superou as fronteiras nacionais, estabeleceu o mercado mundial e se consolidou como um sistema internacional, não se tratava de as condições estarem “maduras” para um país isoladamente, mas de, internacionalmente, o capitalismo já ter chegado a determinado nível de desenvolvimento que permitesse a qualquer país, mesmo que atrasado, pular etapas (dialeticamente) e socializar a produção. 

Ou seja, ela é profundamente baseada no caráter internacional da economia. Além disso, ela caracterizava, a partir do surgimento do imperialismo como fenômeno, a burguesia como uma classe reacionária, que não promoveria mais nenhuma revolução – o que, obviamente, é correto. Portanto, só a classe operária seria capaz de dirigir um processo revolucionário; o que não quer dizer que, em todos os países do mundo, as revoluções chegariam ao poder e nunca seriam derrotadas. Apenas que, diferentemente do que defendia o stalinismo, isso não poderia ser pré-determinado com base em fatores arbitrários, mas que a realidade teria de provar através da luta da classe operária pelo poder (tanto que países atrasados, como a própria Rússia ou a China, 30 anos depois da traição de Stálin, passaram por revoluções socialistas).

Finalmente, a Revolução por Etapas e o socialismo num só país atendiam ao interesse social concreto da burocracia stalinista de impedir uma revolução mundial, manter o isolamento internacional da URSS e, com isso, impedir um novo impulso de consciência da classe operária russa que derrubasse a brutal ditadura de Stálin e de seus continuadores. 

Se há um grande ensinamento da Revolução de Outubro, ele é o seguinte: a classe operária não deve abrir mão da luta pelo poder político do Estado; e sua revolução só poderá ser vitoriosa se ultrapassar as barreiras nacionais e se converter numa revolução internacional. Ao fim e ao cabo, outros diversos pontos do processo revolucionário poderiam ter sido abordados, e que este artigo sirva como um estímulo ao estudo desses processos, não como um fim em si mesmo.

Heinrick Aguiar – BM 141

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