Música

O fenômeno Rogério Skylab

Cantor e formado em filosofia, as letras de Skylab levantam os mais profundos debates, através de uma embalagem sexual

Mais que um homem, menos que um fenômeno, Rogério Skylab, em sua vasta carreira, que data desde o começo da década de 90, sempre sofreu represálias pela forma que seus álbuns são apresentados, com doses caprichadas do grotesco. Mas, ao contrário do que se imagina, Skylab não faz suas obras pelo valor de choque em si, tal como um sensacionalista, mas sim objetivando alcançar a mais livre expressão que a música permite.

Além disso, ele não é apenas um cantor qualquer, mas, sim, formado em filosofia. Para se ter noção, a Carrocinha de Cachorro Quente, popular música do artista, consegue, mesmo com seus tons escatológicos, retratar em apenas 3 minutos: a insalubridade de carrocinhas de cachorro-quente, o desespero e a fraqueza do homem perante a natureza, a morte da criança que um dia todos fomos e a beleza paradoxal de um travesti.

Engana-se quem enxerga as músicas do Skylab como feitas para serem cômicas devido à maneira vulgar de seus versos. A melhor definição para toda a discografia de mais de 10 álbuns é uma massa uniforme entre letras escalafobéticas, temas vulgares e acordes não convencionais. O melhor aspecto de suas obras é a morte do autor, promovida por ele próprio: toda interpretação é válida, nenhuma se sobrepondo a outra.

Para citar um exemplo do arsenal do autor, veja-se a canção “Eu chupo meu pau”, em que Skylab aborda o individualismo existente em nossa sociedade:

Eu chupo meu pau.

Eu chupo seu pau?

Não, eu chupo meu pau.

O pau é seu?

Não, o pau é meu.

Se fosse fácil chupar o próprio pau

Cada um chupava o seu.

Eu chupo o meu pau.

Eu chupo o seu pau?

Não, eu chupo o meu pau.

O pau é seu?

Não, o pau é meu!

Nisso, é possível notar a metáfora em que o pau, descrito na música, não se trata do pênis, mas sim da valorização do indivíduo, numa sociedade em que o individualismo foi levado ao extremo pela lógica cultural do neoliberalismo. Além disso, o foco e o motivador principal do indivíduo é a alegoria fálica.

Em suma, Skylab é mais do que um artista alternativo qualquer, mais do que um sucesso entre adolescentes que igualam escatologia ao humor e, principalmente, mais do que uma música vazia e impessoal, que busca alcançar público a qualquer custo. Skylab, mais que uma ideia, menos do que um bastião musical.

O redator pediu para ser creditado como “Vadia pão com ovo”.

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