Entenda como o imperialismo deu 2 Copas à Itália fascista

Futebol e política inevitavelmente se misturam, pois os esportes sempre refletem a situação política e social de um país. Os países desenvolvidos, através da FIFA e da UEFA, por exemplo, buscam intervir no futebol. Isso só mostra como a Seleção Brasileira sempre teve uma grande superioridade técnica, pois é uma seleção que nunca foi beneficiada por regimes e ditaduras controlando o regulamento e sempre enfrentou as equipes que eram, conseguindo inúmeras vezes se destacar sob essas condições. 

Um dos maiores exemplos disso no futebol foi a Itália na década de 30, tendo sido vencedora das copas de 1934 e 1938, porém com muita coisa acontecendo fora do futebol. O regime fascista de Benito Mussolini ter afetado em muito os resultados, principalmente na copa de 34, ocorrida no país, é fato incontestável.

Os acontecimentos da Copa da Itália de 1934

A decisão de escolher a Itália como país sede para a Copa do Mundo se deu através de um processo eleitoral diretamente organizado por Benito Mussolini, que não fazia questão de esconder que o torneio era uma forma de promover seu regime fascista da época. Mussolini controlava totalmente a imprensa italiana e “incentivava” jornais a publicar apenas matérias positivas sobre a seleção, pois, se não publicassem, provavelmente não iriam poder publicar nunca mais.

Esta Copa do Mundo foi a primeira na história a ter eliminatórias, visto que, por ser na Europa, muitos países europeus queriam participar desta vez. Ao contrário da copa anterior, no Uruguai, na qual alguns países boicotaram o torneio por ser muito longe e necessitar de grandes viagens de navio, que seriam muito caras.

Muitos jogadores da Seleção Italiana eram sul-americanos naturalizados, o que fazia ser uma seleção muito poderosa na época. Um de seus jogadores, Luis Monti, inclusive havia jogado a copa anterior pela Argentina e chegado até a final.

Durante toda a Copa, a arbitragem se mostrou, como o esperado, completamente a favor da Seleção Italiana. Um dos maiores exemplos foi no confronto contra a Espanha, no qual terminou empatado, e como na época não havia disputa de pênaltis, foi realizado um segundo jogo, no qual a Itália ganhou de 1×0. Neste jogo, o árbitro suíço René Mercet anulou dois gols da Seleção Espanhola; além disso, pelo menos três jogadores espanhóis tiveram que deixar o campo machucados. Nas semifinais contra a Áustria, a Itália ganhou novamente por 1×0 e, novamente, com direto a reclamações dos adversários, que alegaram que no lance do gol italiano de Enrique Guaita, haveria acontecido uma falta: as reclamações, obviamente, não resultaram em nada.

Na final contra a Thecoslováquia, o próprio Benito Mussolini compareceu ao Estádio Nacional do Partido Fascista em Roma. Antes do jogo, os árbitros inclusive fizeram a saudação fascista em sua direção. Durante o jogo, em um calor de mais de 40 graus, o primeiro gol saiu depois dos 80 minutos – e foi da Thecoslováquia. Porém, isso não impediu os italianos de vencerem tendo a arbitragem como aliada. Afinal, no gol de empate da Itália, Giovanni Ferrari dominou a bola do braço e deu a assistência para Raimundo Orsi fazer igualar o placar, lance que obviamente trouxe reclamações, porém sem ação alguma do juiz. Na prorrogação, a Itália virou o jogo, 2×1 para alívio dos jogadores, que conseguiram continuar com suas vidas.

A farsa na Copa da França de 1938

A Copa de 1938 por pouco não foi sediada na Alemanha nazista, que havia sediado as últimas olimpíadas e queria promover o regime novamente. No final das contas, a FIFA decidiu sediar a Copa na França, e muitas seleções não quiseram participar, fosse por medo, boicote ou por condições precárias na época pré-Segunda Guerra Mundial.

Nesta Copa do Mundo, os grandes favoritos ao título novamente eram os italianos. Os alemães, por mais que também fossem favoritos, perderam de virada para a Suíça na primeira fase. O mais interessante é que, antes da virada, com o jogo ainda 2×0 para a Alemanha, a comissão técnica enviou um telegrama para Adolf Hitler contando sobre a vitória, que, no final, virou uma derrota por 4×2. Enquanto isso, a Itália, mesmo ganhando a Copa, não foi tão favorecida pela arbitragem como tiveram na anterior, por Mussolini não ter tanto poder assim na França – o que não exclui o fato de ter, sim, recebido favorecimento. Os jogadores italianos, inclusive, foram extremamente vaiados ao fazer a saudação fascista na partida contra a França, na qual terminou 3×1 para a Itália.

Na final, Itália x Hungria, Mussolini mandou o recado “vitória ou morte” para o capitão italiano Giuseppe Meazza. Após um jogo pegado, a Itália vencia por 4×2, com direito a uma declaração do goleiro Húngaro Antal Szabó: “levei 4 gols, mas salvei a vida de 11 Italianos”.

Finalmente, tudo isso comprova que a “tetracampeã” Itália tem dois de seus títulos conquistados diretamente sobre a batuta e sobre a intervenção de Mussolini. Ambas as Copas, especialmente a de 1934, foram um presente da burguesia internacional ao fascismo, com o qual simpatizavam. Mesmo assim, são incapazes de chegar aos 5 títulos da Seleção Brasileira, a única superpotência do futebol, que os ganhou, tendo de superar a intervenção dos países desenvolvidos, com obstáculos, e nunca tendo sido impulsionada.

Alexandre – Maracanã

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