Conto: A Chave de Ouro

Serra Pelada, 12 de maio de 1980 

Nesse dia, a vida do jovem menino de 15 anos mudou completamente. Seu nome era Marcos Roberto. Sozinho, com fome e medo, já tinha perdido toda sua família para a extração do ouro. Naquele dia, estava completando 16 anos sem nenhuma perspectiva de vida e principalmente, sem esperança de dias melhores. Nesse momento, entre centenas de pessoas que trabalhavam no garimpo naquele dia, foi o único a encontrar algo que mudaria sua vida para sempre, o ouro.

Mas não foram poucos quilos e sim o suficiente para tirar seu ganha-pão. Ao tentar fugir com o ouro que lhe foi dado, Marcos passa por seu primeiro desafio, uma emboscada. Os garimpeiros desejavam todo aquele ouro, a qualquer custo e o menino sabia disso. Dessa forma, ele se vê numa situação de matar ou morrer, e pelo instinto de sobrevivência ele saca um revólver e realiza três disparos contra o primeiro garimpeiro e dois contra o segundo, ambos morreram em seus braços e com o mesmo desejo, “cuide da minha família”. Assim que percebeu o crime que cometeu, Marcos foge dali com medo, mas com a promessa em sua mente. Mal sabia ele o que estaria por vir na sua vida…

Rio de Janeiro, 12 de maio de 2014

Marcos Roberto se tornou o maior empresário do Brasil e um dos maiores do mundo no ramo do ouro com sua empresa, “As Chaves de Ouro”. Comemorava seu aniversário de 50 anos com seu companheiro, o Doutor José Augusto e seus filhos adotivos Rodrigo e Yelena, que foram encontrados no Pará. Além de todos os convidados da elite brasileira e mundial. Porém, aquele dia estava destinado a ser o seu último, mas Marcos ainda não sabia disso. Seu fim começa momentos antes do esperado discurso, ao receber uma caixa com os dizeres “Nós sabemos o que você fez em 12 de maio, Serra Pelada”.

Nesse momento o empresário se viu tonto e, ao mesmo tempo, sem ar, indo até a cozinha beber água para tentar se acalmar, e, ao chegar na copa, se depara com sua chefe de cozinha, Maria Curió, que lhe deu um copo gelado d’água como Marcos desejava. Ali mesmo, os dois conversavam até o momento crucial onde a tão famosa chefe revela saber do seu passado, deixando o magnata com a visão embaçada e a mesma falta de ar. Ao sair da copa, depara-se com seu marido e filhos e os abraça bem apertado, dizendo: “É bom saber que tenho com quem contar, mesmo com todos os meus erros.”

De pronto, todos respondem: “Sabemos o que você fez em 12 de maio, cinco disparos e dois mortos.”

Curió sai da copa e diz olhando para José Augusto: “O que recebeu três disparos era nosso pai e nosso refúgio, se chamava Carlos Magno.”

Em seguida, as crianças respondem:

“O que recebeu dois disparos era nosso avô e se chamava Amaro.”

Ao perceber que todos em sua volta estavam em busca de vingança, Marcos sente estar partindo e diz:

“Eu sempre soube, por isso quis ter vocês por perto e cumprir com a minha promessa.”

Marcos cai e, com sua chave de ouro na mão, parte em paz.

Muitos pensaram e, principalmente, você deve estar pensando que Marcos foi envenenado por todos os quatro, mas não foi isso que aconteceu. O empresário sofria de lesão pulmonar aguda por ter contato com Mercúrio e sempre soube disso. Marcos pagou toda a faculdade de gastronomia de Maria Curió, que teve esse nome em homenagem à cidade de Curionópolis, onde era a Serra Pelada. José Augusto teve todo o seu curso de medicina custeado pelo empresário que se apaixonou por ele no hospital onde realizava seus exames pulmonares. Rodrigo e Yelena foram resgatados no Pará pelo magnata que os acompanhou pessoalmente desde pequenos.

Em seu testamento, Marcos Roberto deixou toda a sua riqueza para todos os quatro e os dizeres: “Tudo aquilo que se começa com morte, termina com morte. Deixo para vocês, o que é de vocês”.

Marcos pediu para ser enterrado em Serra Pelada, assim como seus pais e em sua lápide dizia:

“Aqui jaz um homem que errou, mas que procurou acertar”.

Arthur Matheus – Maracanã

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