Futebol

Club de Regatas Vasco da Gama e a resistência negra

Um novo olhar para o clube quatro vezes campeão brasileiro

Esse texto busca olhar para um outro lado desse clube campeão da Taça Libertadores e quatro vezes do Campeonato Brasileiro.

Trata-se do lado de resistência, que poucos conhecem, mas que é algo histórico e fundamental para o futebol mundial. Antes de mais nada, vamos viajar no tempo e retornar aos primórdios desse Clube de Regatas, fundado em 21 de agosto de 1898 no bairro da Saúde. A partir daí,  inicia-se uma verdadeira saga de lutas, glórias e reviravoltas. A primeira grande batalha desse almirante se iniciou em 1924, com a Resposta Histórica. Este documento foi enviado para a AMEA, órgão organizador do Campeonato Carioca da época, que solicitou ao clube que excluísse os 12 jogadores negros e operários de seu elenco e que, se não cumprisse com a ordem, seria excluído e desclassificado do campeonato.

Dessa forma, o presidente José Augusto Prestes envia a Resposta Histórica dizendo as seguintes palavras: “Estamos certos de que Vossa Excelência será o primeiro a reconhecer que seria um ato pouco digno de nossa parte sacrificar, ao desejo de filiar-se à Amea, alguns dos que lutaram para que tivéssemos, entre outras vitórias, a do Campeonato de Futebol da Cidade do Rio de Janeiro de 1923 (…) Nestes termos, sentimos ter de comunicar a Vossa Excelência que desistimos de fazer parte da AMEA”.

Logo após, o clube passou a disputar um campeonato de menor expressão, mas com a certeza de que tinha tomado a decisão mais adequada e justa para a instituição e seus torcedores. Em 1927, o clube passava por mais uma batalha, em meio a críticas de clubes elitistas ligados a AMEA, e sofrendo com a exclusão em alguns campeonatos pela justificativa de não possuir um estádio. Dessa forma, os torcedores vascaínos, sua grande maioria negra e de classe trabalhadora, resolveram erguer o próprio estádio denominado São Januário, que até 1930 foi o maior estádio da América do Sul. Com isso, é perceptível como os negros e operários que além de jogarem no clube, se identificaram com o mesmo. Chegamos em 1950, ano em que a Copa do Mundo foi sediada em terras brasileiras. Moacyr Barbosa, esse era o goleiro brasileiro que chegou até a tão conhecida final no Maracanã contra o Uruguai e que, além disso, era jogador do Vasco e que hoje é um dos grandes ídolos do Clube. Após aquela final, Barbosa sofreu com o racismo e com o julgamento público por conta da derrota, porém, graças ao seu talento embaixo das traves ele conseguiu provar a todos que a “Vitória para um almirante é a lei”.

Um outro grande personagem negro da história do clube é o conhecido Pai Santana, ex-massagista do Vasco e pai de santo. Tal personagem foi fundamental para a identidade do clube, pois, com toda sua exuberância e fé, ele trabalhou no período em que o Vasco ganhou títulos de expressão como o Campeonato Brasileiro de 2000. A resistência negra dentro do Vasco da Gama vai muito além de somente esses dois personagens, ela formou o Vasco e sempre será assim. O homem negro ergueu o Vasco, e muito além, o guiou.

Esse gigante do esporte mais popular do planeta tem suas raízes de preta, pobre e operária, tornando-o “O Legítimo Clube Do Povo”. Por mais decepcionante que tenha sido os últimos anos para seus torcedores, essa potência esportiva possui a história mais bonita do futebol, porém, essa história perdeu um pouco do seu brilho.

Arthur Matheus – Maracanã

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