Coluna de Arthur Matheus

Barbienheimer: O fenômeno que salvou a indústria do cinema

Sobre o fenômeno de bilheteria Barbienheimer

Sim, você não leu errado, Barbienheimer definitivamente salvou a indústria do cinema pós-pandemia. Apesar de escassas bilheterias de sucesso em 2023, a indústria de Hollywood vinha sofrendo com longas frustrações dos grandes estúdios. Essas frustrações geram inúmeras consequências, entre elas, é possível citar a exaustão dos espectadores em histórias repetitivas e o descaso dos grandes estúdios com os atores e técnicos envolvidos nas produções. 

Esse descaso inclusive é o grande fator para a greve dos atores e roteiristas de Hollywood, mas isso é assunto para outra resenha. Dentro desses fatores, surgiu o fenômeno Barbienheimer, que, na humilde opinião deste autor, ficará marcado na história como o movimento mais rentável da história do cinema. 

Com isso, após assistir aos dois filmes, gostaria de compartilhar minhas conclusões de cada obra, a começar por Barbie. Esse filme tinha tudo para ser o filme do ano e, sinceramente, conseguiu. O roteiro e direção de Greta Gerwig são fantásticos e sublimes, mas o que realmente vale ser destacado são as atuações dos personagens principais. Margot Robbie nasceu para interpretar a boneca mais vendida da história, sendo perceptível por sua atuação cômica e com leves nuances de dramaticidade durante todo o longa. 

Porém, se há uma certeza nesse filme, é que Ryan Gosling ganhará um Oscar. O ator consegue roubar a cena em cada momento em tela, apenas com o tom caricato de Ken, tornando o personagem, de certa forma, memorável. Destaco também a atuação de todo o elenco, mas principalmente de America Ferreira, que, com um forte discurso ao final do filme, conseguiu emocionar toda a sala do cinema, inclusive a mim e a toda excepcional montagem de produção, com toda a Barbieland sendo realmente construída e não em CGI. 

A principal arma desse filme é a crítica presente em seu roteiro, um verdadeiro soco no estômago de toda a sociedade. Desde da relação entre o Matriarcado x Patriarcado até a busca pelo equilíbrio presente por todo o filme. Barbie realmente vale seu ingresso, assim como o sucesso Oppenheimer. 

O novo longa de Christopher Nolan conta a história do personagem título do filme, o pai da bomba atômica. E sendo direto ao ponto, esse é o melhor filme de Nolan. Durante as três horas de filme, o diretor e roteirista consegue impor, em cada detalhe, características presentes em todos os seus filmes, mas que neste caso estão mais presentes em tela. Esse filme conquista o público por se tratar de um tema extremamente relevante na atualidade e que Robert Oppenheimer já havia percebido após a conclusão do Projeto Manhattan. No quesito atuação, esse elenco estelar se apresenta de forma impecável, mas claramente dois personagens se sobressaem dos demais. 

Cillian Murphy entrega uma atuação espetacular que com certeza irá lhe render uma indicação ao Oscar com Oppenheimer. A principal ferramenta dessa atuação é o olhar do personagem, sendo possível perceber toda a angústia presente ali e com isso, entender todas as suas reflexões. Agora, o que falar de Robert Downey Jr, sinceramente, eu fiquei sem palavras em cada cena em que ele era o destaque. Realmente nunca o tinha visto em uma atuação tão forte e bem escrita, certamente irá render grandes indicações na temporada de premiações. 

Como todo o filme de Nolan, as trilhas sonoras e a fotografia são algo de outro mundo, em Oppenheimer não é diferente. O único pecado dessa obra é apostar demais nas relações dos personagens, o que nem sempre pode ser bem construído. Apesar desse pecado, Oppenheimer é um excelente filme, mostrando que, ao lado de Barbie, forma uma briga na bilheteria. Por fim, é perceptível que Barbienheimer é uma luta justa e de excelentes filmes em cartaz.

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