Aos 91 anos, morre Jean-Luc Godard

Jean-Luc Godard morreu aos 91 anos, após ter realizado grandes feitos no cinema. Ele foi o principal nome da Nouvelle Vague (“Nova Onda”), que é a expressão na sétima arte dos movimentos de contracultura que surgiram nos anos 60. 

Os movimentos de contracultura estão relacionados aos eventos de maio de 1968, que se iniciaram com uma poderosa greve geral na França e depois se espalharam para o mundo todo, com repercussão nos EUA, em manifestações contra a guerra do Vietnã, em toda América Latina, em manifestações contra as ditaduras militares da região, e também no leste europeu, com a revolução da Primavera de Praga na Checoslováquia.

As expressões da contracultura foram desde o movimento hippie até ao movimento punk, por exemplo. Mas, no cinema, foi Godard quem melhor representou a Nova Onda. 

Outro fator que influenciou a obra do cineasta foi o fato de, na França, já existir uma crítica ao realismo poético. Godard apoiava esta crítica e produzia filmes baseados nela; por exemplo, O Acossado, em que ele dava vazão a esta crítica enfatizando o papel do diretor.

Disso, decorre que a filosofia dos filmes do Godard era centrada na constante crítica ao cinema enquanto falsificação da realidade. Inclusive, os seus filmes contém cortes bruscos entre uma cena e outra, bem como fortes giros da câmera e quebra da quarta parede, para deixar evidente que se trata de um filme. Ou seja, é uma superação da tendência realista, que procurava, nos filmes,  transmitir a ideia de extensão da realidade.

Dentre os filmes mais destacados de Godard, está o filme “Demônio das Onze Horas” (Pierrot, Le Fou em francês), em que o protagonista Ferdinand foge da monotonia da vida cotidiana, que é representada pela exaustiva propaganda na festa em que ele vai, e embarca numa viagem com Marianne (interpretada por Anna Karina), seu antigo amor, que estava fugindo de mafiosos.

Durante a viagem, eles discutem sobre diversos temas, falando das guerras do Vietnã, da Argélia, por exemplo. Tratam de muitos assuntos de natureza filosófica, como a vida, a liberdade, o existir, a literatura, etc. em conversas que seriam aparentemente banais.

Godard chegou a ter um filme censurado no Brasil pelo governo José Sarney, após pressão da Igreja Católica: era o filme Je Vous Salue, Marie. 

Seu último filme foi o “Adeus à Linguagem”, lançado em 2015, em que explorou os conceitos relacionados ao cinema através de uma linguagem visual forte.

Hoje em dia, em que os filmes têm cada vez menos conteúdo e são cada vez mais lixos produzidas pela indústria norte-americana, lembrar do legado de Godard, seu modo particular de colocar grandes discussões e sua crítica à vida burocrática, voltada a valores supérfluos, sem conteúdo e mecânica é essencial. A melhor representação do estilo de vida alienado, tipicamente norte-americano, que Godard critica, é a propaganda, da qual Ferdinand foge no início de Pierrot, Le Fou.

Heinrick Aguiar, campus Maracanã

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