Alemanha embarga o Brasil por não enviar armas à OTAN

Atentado à soberania brasileira ocorre como retaliação por Lula não apoiar ofensiva imperialista contra russos

No final de fevereiro, a Alemanha decidiu embargar a exportação dos veículos blindados brasileiros como forma de retaliação à posição de neutralidade de Lula na guerra da Rússia contra a Ucrânia, expressa no fato de ter se recusado a vender munição de tanques para a OTAN. A decisão visava impedir que os veículos de guerra, que possuíam peças alemães, pudessem ser comercializados com as Filipinas.

Entretanto, pouco mais de um mês depois, no meio de março, o Brasil conseguiu driblar o embargo ao substituir a peça alemã por um componente nacional. Tal fato demonstrou a necessidade de o país desenvolver sua indústria para não ser refém do que for produzido nos países imperialistas.

Mas, apesar de o Brasil ter conseguido superar o embargo, o fator mais significativo desse imbróglio não é esse, mas, sim, que o imperialismo procura impor sua política de maneira ditatorial por todos os meios possíveis. O caso do embargo foi um flagrante desrespeito à soberania nacional brasileira: tratou-se de uma tentativa de impor ao Brasil qual política seguir durante a guera.

Tal atentado à soberania nacional dos países latino-americanos é algo verdadeiramente escandaloso. É notório, por exemplo, que o embargo imposto pelos Estados Unidos contra Cuba gera uma série de complicações financeiras da maior ordem para a população. A política de embargos consiste nos cercos de guerra modernos e é levada adiante por aqueles que procuram se apresentar como “defensores do direito internacional”.

Os Estados Unidos e os países europeus são os promotores dessa política de fome e de miséria por todo o mundo. É preciso ter claro que o direito internacional, feito sob medida para defender os interesses do imperialismo, não diz uma única linha sobre fazer chantagem econômica contra um país para que adote uma determinada política, porque é a tática utilizada pelos EUA no mundo inteiro.

Lula, ao não aderir à guerra travada por procuração pela OTAN contra a Rússia, foi vítima de um embargo criminoso. Felizmente, o Brasil conseguiu passar por cima disso e utilizar componentes nacionais no blindado Guarani. No entanto, isso não deixa de lado a tarefa de denunciar energicamente este embargo – assim como os embargos de que Cuba e Rússia também são vítimas –, pois é um meio de estrangular a autodeterminação dos países oprimidos para impor a política do imperialismo.

Ademais, é preciso ter claro que a luta contra os embargos impostos pelos Estados Unidos e pela União Europeia às nações que se oponham a sua política não deve se dar no terreno institucional. O vazio e inócuo “direito internacional” não foi feito e é totalmente incapaz de proteger tais países; sua função, aliás, é a inversa. A ONU é um organismo da burguesia imperialista e não prestará nenhum tipo de solidariedade à Cuba, ao Brasil e à Rússia em suas lutas contra embargos e contra as interferências dos norte-americanos em suas políticas. O único caminho real para combater a política de chantagem econômica, fome e miséria dos norte-americanos é a solidariedade internacional da classe operária em luta contra o imperialismo.

Heinrick Aguiar – Maracanã

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