A luta da IV Internacional em defesa da continuidade do socialismo revolucionário

Após a morte de Lênin, em 1924, o processo de fortalecimento da burocracia estatal da União Soviética ganhou forte impulso. Vendo-se livre do principal dirigente revolucionário do país, a casta de administradores do Estado operário foi, aos poucos, usurpando o poder político conquistado pela classe operária na Revolução de Outubro. Tal processo culminou na ditadura contrarrevolucionária de Stálin, símbolo máximo dessa reação.

Com a subida definitiva de Stálin ao poder, toda mínima oposição ao seu regime foi duramente perseguida. A democracia interna nos organismos da classe operária foi totalmente extinta; o poder transferiu-se das mãos do proletariado revolucionário para uma camarilha reacionária, que passou a dirigir a União Soviética em uma brutal ditadura contra todo o conjunto do povo.

Nessa conjuntura, foi Leon Trótski, segundo líder mais importante da Revolução Russa, que liderou a Oposição de Esquerda – como era chamado o bloco dos bolchevique-leninistas, que se opuseram à usurpação do poder do Estado operário pela burocracia stalinista. Eles deram continuidade ao marxismo revolucionário e combateram o maior ataque já feito de dentro dele – que, dessa vez, não era feito somente com falsificações no campo teórico, mas também com a repressão da polícia secreta estatal.

No campo da política internacional, o stalinismo, que tomou de assalto o primeiro Estado operário que a humanidade havia visto e que usurpava sua autoridade, empreendeu a política profundamente contrarrevolucionária e antimarxista de colaboração de classes. Uma das maiores traições históricas perpetradas por Stálin contra a classe operária se deu durante a Guerra Civil Espanhola (1936-1939), em que o Partido Comunista Espanhola, a mando da III Internacional tomada pela burocracia stalinista, lançou um governo de frente ampla com os republicanos – isto é, com a burguesia imperialista –, que se dedicou a reprimir a Revolução Espanhola e a torturar os revolucionários que formavam sovietes.

De acordo com os stalinistas, a tentativa de tomar o poder por parte da classe operária espanhola prejudicaria seu acordo com a burguesia daquele país, portanto, atrapalharia a “frente ampla”. Ou seja, era a negação total da luta de classes. Tal política era voltada, evidentemente, ao combate contra a revolução proletária.

No campo teórico, Stálin requentou a antiga teoria da revolução por etapas, segundo a qual a classe operária não poderia tomar o poder diretamente, mas deveria, antes, se limitar a fazer uma revolução meramente burguesa e democrática. Somente depois, poderia se ocupar de preparar a revolução socialista.

Para explicar como a União Soviética poderia se manter diante de tal isolamento internacional, visto que Stálin defendia, em toda parte, que as revoluções se limitassem a um caráter burguês ou que elas não fossem feitas em prol de acordos com a “burguesia democrática”, ele elaborou a utopia reacionária do Socialismo num Só País. Segundo esta, a ausência de Estados operários além da URSS não seria um problema, pois ela seria autossuficiente do ponto de vista econômico. Além de ser incorreta, foi uma vil afronta a tradição internacionalista do movimento operário, que serviu para boicotar a iniciativa revolucionária do proletariado de todos os outros países do mundo.

É inútil dizer que tal política culminou na vitória dos piores elementos da burguesia em todos os países onde foi implementada. Obviamente, levou à vitória do fascismo na Espanha.

Já na Alemanha, a política implementada pelo stalinismo foi um zigue-zague. Ela consistia em caracterizar a social-democracia – que eram os reformistas de esquerda – como tão inimigos do povo quanto Hitler e, por conta disso, rejeitar uma frente única com eles e com suas organizações sindicais.

Acontece que os social-democratas tinham ampla base operária por detrás de si; sua política, portanto, consistia em não unificar a classe operária. Diferentemente do caso espanhol, em que a frente ampla era um acordo com a burguesia, aqui se negava a unificar os operários; além disso, a política stalinista consistia em subestimar Hitler – com quem, diga-se de passagem, Stálin assinou um pacto de não-agressão anos depois.

A III Internacional, dirigida pelo stalinismo, chegou a formular a palavra de ordem “Depois de Hitler é a nossa vez”. Ela revelava uma ilusão de que seria mais fácil combater o nazismo com este no governo, pois ele se desmoralizaria perante às massas.

Para Leon Trótski, se nem o trovão do nazismo era capaz de acordar a III Internacional, nada mais seria; portanto, ela estava morta e totalmente inutilizada para os fins da revolução mundial. Com este panorama, o revolucionário bolchevique lançou a palavra de ordem de luta pela construção de uma nova internacional, que combatesse a degeneração burocrática que a União Soviética havia sofrido e que desse novo impulso à luta dos trabalhadores, mantendo firme os princípios do Marxismo.

O documento programático básico da IV Internacional, que se reuniu em 1938 pela primeira vez, foi o Programa de Transição. Seu conteúdo e a luta dos trotskistas durante esse período mantiveram o marxismo vivo no momento de maior dificuldade e de ataques revisionistas que este enfrentou em toda sua história. Trata-se do programa que defendeu a revolução socialista internacional contra o socialismo num só país, que tem a revolução operária – e não de nenhum outro tipo – como método, que se manteve fiel à doutrina marxista e que não abandonou a luta de classes em prol da conciliação com os piores inimigos do proletariado.

Heinrick Aguiar, campus Maracanã

O Brasil ainda é uma democracia?

Um debate muito negligenciado, que é tratado de maneira superficial, mas que conserva a maior importância é a respeito da caracterização do regime político brasileiro.

O fenômeno Rogério Skylab

Mais que um homem, menos que um fenômeno, Rogério Skylab, em sua vasta carreira, que data desde o começo da década de 90, sempre sofreu

Rolar para cima